Pisos quebrados durante o corte, argamassa preparada em excesso, materiais comprados além do necessário e produtos danificados por armazenamento inadequado são situações que podem aumentar o custo de uma reforma.
Nem toda sobra significa que houve um erro. Alguns processos de construção naturalmente geram perdas, como os recortes necessários para instalar revestimentos.
O problema aparece quando materiais são consumidos além do necessário por falta de planejamento, erros de execução, armazenamento inadequado ou retrabalho.
Na construção civil, o conceito de perda é mais amplo do que simplesmente aquilo que acaba na caçamba. Ele também pode envolver materiais utilizados além da quantidade necessária para executar determinado serviço.
O planejamento pode realmente reduzir o desperdício?
Sim.
Uma das melhores maneiras de evitar perdas é pensar na execução antes de começar.
Isso significa conhecer as dimensões do ambiente, definir quais serviços serão realizados, calcular as quantidades necessárias e organizar a sequência das atividades.
Comprar materiais sem conhecer corretamente a necessidade da reforma pode resultar tanto em excesso quanto em falta.
O planejamento também ajuda a evitar mudanças durante a execução.
Alterar uma parede, um revestimento ou uma instalação depois que o serviço já começou pode exigir a retirada de materiais recém-aplicados, gerando desperdício e retrabalho.
A abordagem conhecida como Lean Construction considera planejamento, estoque, transporte, defeitos e retrabalho entre os pontos que podem gerar desperdícios durante uma obra.
Comprar mais material do que o necessário é sempre uma boa ideia?
Não.
É comum acrescentar alguma margem ao cálculo para compensar recortes, perdas previstas e possíveis reposições.
Essa margem, porém, deve estar relacionada às características do material e do serviço.
Comprar muito além do necessário pode resultar em sobras difíceis de aproveitar posteriormente.
Além disso, quanto maior o volume armazenado na obra, maior pode ser a necessidade de espaço e organização.
A CBIC inclui o excesso de estoque entre as possíveis fontes de desperdício, já que materiais armazenados desnecessariamente também ficam sujeitos a danos, movimentações e extravios.
Medir corretamente antes de comprar faz diferença?
Faz bastante diferença.
Antes de comprar pisos, revestimentos, tintas, argamassas ou outros materiais, é necessário conhecer as dimensões das áreas onde serão utilizados.
Uma medição incorreta pode levar à compra de quantidade inadequada.
Também é importante considerar particularidades do projeto.
Ambientes com muitos recortes, cantos, portas ou obstáculos podem apresentar necessidades diferentes de uma área simples e retangular.
Quando houver projeto ou especificação técnica, essas informações devem servir de referência para o levantamento dos materiais.
É melhor comprar todo o material de uma vez?
Depende da reforma.
Em alguns casos, comprar antecipadamente pode facilitar a logística. Em outros, receber grandes quantidades antes da hora pode ocupar espaço e dificultar a organização.
O importante é alinhar as entregas ao andamento do serviço.
Materiais que só serão utilizados no final da reforma não precisam necessariamente permanecer durante semanas em uma área onde ocorrem demolições, movimentação de equipamentos ou circulação intensa.
O conceito de planejamento de entregas conforme a necessidade da produção também é utilizado em práticas de construção enxuta para evitar estoques excessivos e congestionamento no local de trabalho.
O armazenamento pode provocar desperdício?
Sim.
Um material comprado corretamente ainda pode ser perdido se for armazenado de forma inadequada.
Umidade, chuva, impactos, sujeira e movimentação constante podem danificar produtos antes mesmo de sua utilização.
Também é importante evitar que materiais pesados sejam colocados sobre itens frágeis ou que produtos permaneçam em locais onde possam ser atingidos durante outras atividades.
Cada material possui condições próprias de armazenamento, portanto as orientações de seu fabricante devem ser respeitadas.
Manter o local organizado ajuda?
Muito.
Quando materiais estão espalhados pela obra, aumenta a possibilidade de danos, perda de peças e movimentação desnecessária.
Uma organização simples por categorias já pode facilitar bastante.
Itens que serão utilizados na mesma atividade podem permanecer próximos entre si, enquanto materiais destinados a etapas futuras podem ficar armazenados em áreas protegidas.
A organização também permite visualizar melhor o estoque existente.
Isso ajuda a evitar a compra de um material que já estava disponível na obra, mas não foi localizado.
Por que o transporte dentro da própria obra importa?
Porque materiais também podem ser danificados durante a movimentação.
Levar pisos, blocos, peças de revestimento ou outros produtos repetidamente de um lado para outro aumenta a quantidade de manuseios e, consequentemente, as oportunidades de quebra.
A construção enxuta considera movimentos e transportes desnecessários como formas de desperdício justamente porque eles consomem tempo sem agregar valor ao serviço e podem aumentar o risco de danos aos materiais.
Por isso, definir antecipadamente onde cada material será armazenado pode reduzir deslocamentos.
O equipamento utilizado pode influenciar no desperdício?
Sim.
A ferramenta inadequada pode dificultar o trabalho e aumentar a quantidade de material perdido.
Um exemplo simples acontece no corte de revestimentos.
Se o equipamento ou disco utilizado não for compatível com a peça, podem ocorrer quebras e cortes inadequados.
O mesmo princípio vale para perfuração, demolição, acabamento e outras atividades.
Utilizar um equipamento adequado ao serviço não garante que nunca haverá perda, mas oferece melhores condições para realizar a atividade com controle.
É importante conferir os materiais quando eles chegam?
Sim.
A conferência no recebimento ajuda a identificar peças quebradas, embalagens danificadas, quantidades incorretas ou produtos diferentes dos que foram solicitados.
Descobrir esse problema somente no momento da instalação pode interromper o serviço.
Também é interessante verificar onde os materiais serão descarregados antes da chegada.
Isso evita que eles sejam colocados provisoriamente em um lugar inadequado e depois precisem ser movimentados novamente.
Preparar material em excesso também é desperdício?
Pode ser.
Argamassas, concretos e outros produtos preparados para utilização dentro de determinado período devem ter sua quantidade planejada de acordo com a capacidade de execução da equipe.
Preparar muito mais do que será utilizado pode fazer com que parte do material perca suas condições adequadas de aplicação antes de chegar ao local de uso.
Por isso, é importante observar as instruções do fabricante relacionadas a preparo, proporção, rendimento e tempo de utilização.
A ideia não é produzir a maior quantidade possível de uma vez, mas preparar uma quantidade compatível com o ritmo do serviço.
Retrabalho também desperdiça material?
Sim.
Quando uma atividade precisa ser refeita, normalmente não se perde apenas tempo.
Materiais também podem precisar ser retirados e substituídos.
Imagine um revestimento instalado incorretamente que precise ser removido ou uma parede aberta depois de pronta porque uma instalação foi esquecida.
Nesses casos, parte do material utilizado anteriormente pode se transformar em resíduo.
Defeitos e retrabalho aparecem entre as fontes de desperdício abordadas pela metodologia Lean Construction.
Por isso, conferir medidas, projetos e condições da superfície antes da execução pode evitar gastos posteriores.
A sequência dos serviços faz diferença?
Sim.
Uma reforma possui etapas que precisam conversar entre si.
Executar acabamento antes de concluir atividades que podem gerar quebra, poeira ou movimentação pesada pode aumentar o risco de danificar um trabalho já pronto.
Da mesma forma, instalar um revestimento antes de confirmar determinadas passagens ou instalações pode levar à necessidade de removê-lo posteriormente.
Pensar na sequência das atividades reduz interferências entre equipes e ajuda a evitar que um serviço prejudique o outro.
Sobras podem ser reaproveitadas?
Em determinadas situações, sim.
Peças inteiras, materiais não utilizados e determinados resíduos podem ter possibilidades de reutilização ou reciclagem.
Por isso, não é recomendável misturar imediatamente todo material restante como se fosse um único tipo de entulho.
A Resolução CONAMA nº 307 estabelece como prioridade a não geração de resíduos e, em seguida, a redução, reutilização, reciclagem e destinação adequada.
A norma também diferencia tipos de resíduos da construção, incluindo materiais como concreto, componentes cerâmicos, madeira, metais, plásticos e vidros.
Vale a pena separar os resíduos durante a reforma?
Sim.
Separar os resíduos facilita a identificação do que pode ser reaproveitado, reciclado ou encaminhado para uma destinação específica.
A Resolução CONAMA nº 307 prevê etapas como caracterização, triagem, acondicionamento, transporte e destinação dos resíduos da construção civil.
Misturar madeira, metais, embalagens, restos de revestimentos e outros materiais pode dificultar o aproveitamento posterior.
As regras específicas de coleta e destinação também podem variar conforme o município, portanto é importante verificar as orientações locais.
Todo entulho significa desperdício?
Não necessariamente.
É importante fazer essa diferenciação.
Algumas perdas são inerentes ao próprio processo.
Ao instalar um piso, por exemplo, pode ser necessário cortar peças nas bordas. Na execução de alvenaria, determinados componentes também podem precisar de ajustes.
A questão é identificar quando a quantidade descartada ultrapassa aquilo que seria razoavelmente necessário para executar o serviço.
Ou seja, o objetivo não é imaginar uma reforma sem qualquer resíduo, mas evitar perdas que poderiam ter sido prevenidas por planejamento e execução adequada.
Materiais quebrados durante uma demolição podem ser separados?
Sim, desde que isso seja feito de acordo com as características dos resíduos e com as exigências aplicáveis.
Concreto, tijolos, blocos e revestimentos fazem parte dos resíduos que a Resolução CONAMA nº 307 enquadra entre aqueles com possibilidade de reutilização ou reciclagem como agregados, conforme as condições técnicas e a destinação adequada.
Já outros resíduos podem exigir tratamentos diferentes.
Por isso, uma reforma organizada deve pensar não apenas em como os materiais entram na obra, mas também em como os resíduos sairão dela.
Comprar material de qualidade evita desperdício?
A qualidade pode influenciar, mas esse não é o único fator.
Um produto adequado ainda pode ser perdido por armazenamento incorreto ou aplicação inadequada.
Da mesma forma, utilizar um material incompatível com a aplicação pode gerar falhas e necessidade de substituição.
Por isso, a escolha deve considerar especificações, finalidade e recomendações do projeto ou fabricante, e não apenas preço ou quantidade.
Como saber onde está acontecendo o desperdício?
Observar a obra é um bom começo.
Se determinado material está acabando muito antes do previsto, é importante entender o motivo.
Ele está sendo utilizado em quantidade excessiva?
Existem muitas peças quebradas?
Há cortes sendo refeitos?
O material está sendo danificado durante o transporte?
A equipe está preparando mais produto do que consegue aplicar?
Esse acompanhamento permite corrigir o processo antes que a mesma perda se repita durante toda a reforma.
Uma reforma pequena também precisa desse controle?
Sim.
O tamanho da obra muda a escala, mas não elimina o desperdício.
Em uma pequena reforma residencial, perder algumas caixas de revestimento ou precisar refazer uma parede pode representar uma parcela importante do orçamento.
Por isso, práticas simples de planejamento, medição, organização e conferência são úteis tanto em grandes obras quanto em intervenções menores.
Alugar equipamentos também pode ajudar?
Dependendo do serviço, sim.
Algumas reformas exigem equipamentos específicos apenas durante uma etapa.
Em vez de improvisar o trabalho com uma ferramenta inadequada, a locação pode permitir acesso a uma máquina mais compatível com a atividade pelo período necessário.
Um corte executado com o equipamento correto, por exemplo, pode oferecer melhores condições para evitar quebras e retrabalho.
Nesse sentido, o equipamento deve ser visto como parte do planejamento dos materiais e da execução, e não apenas como um item separado da obra.
Evitar desperdício começa antes de abrir a primeira embalagem
Reduzir perdas durante uma reforma não depende de uma única medida.
É resultado de várias decisões: medir corretamente, planejar as compras, armazenar os materiais de forma adequada, utilizar equipamentos compatíveis, organizar a sequência dos serviços e separar corretamente os resíduos.
Nem todo resíduo pode ser eliminado, mas muitas perdas podem ser reduzidas quando a reforma é planejada antes da execução.
Além de ajudar a controlar o orçamento, esse cuidado evita compras desnecessárias, reduz retrabalho e facilita a destinação dos materiais que realmente não poderão mais ser utilizados.
Fontes
CONAMA — Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002: Gestão dos Resíduos da Construção Civil
Acessar Resolução CONAMA nº 307
CBIC — Lean Construction: redução dos desperdícios e perdas em obras
Acessar artigo da CBIC
CBIC — Especialista explica onde ocorrem as perdas na construção
Acessar matéria da CBIC
CBIC — SENAI, CBIC e Sinduscon aplicam técnicas do Lean Construction para aumentar a produtividade
Acessar matéria da CBIC

